O que se entende como justo e o que seria justo realmente.
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[Este post tenta fazer parte da "Blogagem Inédita".]
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Na realidade, ou melhor, minha realidade, passo por um momento intenso, estranho e de certa rebeldia.
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Cresci vendo de perto um pai pianista e uma mãe cantora, em manhãs de domingo, embelezando horas a fio com sua arte. Não demorou muito para que eu olhasse a música como algo que seria meu. Meu futuro.
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Comecei a aprender, com o carinho e a atenção dos velhos, o que era verdadeiramente a música.
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Anos depois fui para escolas e busquei ser um aluno exemplar para poder ser um instrumentista no mínimo verdadeiro.
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Meu pai era funcionário de uma montadora automobilística na busca da sobrevivência, quando um acidente lhe trouxe limitações físicas e uma situação de desemprego faltando muito pouco para a aposentadoria.
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Pronto. A Vida já havia alterado o rumo de nossas vidas. E o que eu assistia então, daquele momento em diante, era algo preocupante. Pelo estado de sofrimento, que impôs ao meu pai muitas dores e dificuldades e lágrimas tensas não merecidas a minha mãe.
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Com muita coragem, perseverança e fé seguimos por nossos dias. Alguns momentos de alegrias e paz ainda existiram em meio à guerra pelo próximo dia.
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Em meio a esse emaranhado de situações desconfortáveis, tempos mais tarde ocorre o previsível. Ao requerer sua aposentadoria meu pai viu diante de seu destino um novo entrave.
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Algum funcionário de INSS resolveu interpretar dados da documentação de sua própria forma e a aposentadoria saiu com erros. Desde então, em todos os recursos em instâncias internas do INSS e posteriormente na Justiça Federal, a causa tem sido favorável ao meu pai.
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Contudo, são mais de 20 anos de espera.
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Nesse tempo o velho viu sua saúde decaindo. Visão, audição entre outros problemas já não lhe permitem circular por calçadas com segurança, já não lhe garantem sequer ouvir o que dedilha ao piano, enxergar os textos nos jornais muitas vezes com lupa. A mãe sempre ali, dividindo a carga de preocupações.
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E nunca jamais nesse meio tempo conseguimos deixar de pagar algum imposto, ou sequer deixamos de votar.
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Percebo que nossa luta pela manutenção de nossa honestidade em verdade nos causou um prejuízo irreparável, pois o tempo se finda...
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Uma sentença judicial que não se verifica efetiva, em tempo hábil, não produz justiça. E sempre que o sentido é do forte para o fraco, a história se repete. Nesse caso, o Governo não respeita o cidadão e lhe impõe dificuldades, por pura crueldade. Enquanto alguém lá em cima apenas ri...
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Se o povo fosse tratado de forma mais humana, produtiva, sem tanta politicagem, tudo seria melhor. Haveria mais pensamento produtivo, mais cultura, mais disposição. Comunidades mais felizes e construtivas.
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E até mesmo mais impostos para nossos excelentes eleitos devorarem.
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Na grande maioria dos casos, e principalmente nos que vivi e senti na carne, a Justiça Brasileira se mostra extremamente injusta. E os que podem lutar para mudar isso não o fazem. Talvez algo os impeça de agir. Discursos conheço inúmeros. Apenas isso.
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E fico imaginando o que espera, o jovem que está pelos bairros da cidade sem muita vontade de freqüentar aquela escola descuidada e sem professores...
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Em princípio posso dizer que por mais otimista que tente ser, não encontro muitas boas verdades pelo dia-a-dia.
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E a despeito de tudo isso, mais que otimista aprendiz, sou mesmo teimoso. E tudo me dá força para insistir mais um pouco. E essa segunda-feira chuvosa e cinza acaba por me inspirar a encontrar alguma solução rápida para esse início de semana.
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Mas esse é assunto para outro ambiente, outro suporte... novo momento.
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[Em tempo: hoje é aniversário do Adolar! Tudo de bom, cara!]
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Agora, pra ouvir e refletir...











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